Logo no início de “O retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde afirma ao leitor que “todo impulso que lutamos para asfixiar persiste na mente e nos envenena”, de modo que “a única maneira de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela”. Diante desse terreno convidativo do desejo, a Má Companhia extrai o ponto de vista que dirige sua adaptação teatral do clássico de Wilde, modernizando a obra para a linguagem queer, com ênfase no homoerotismo.
A peça, que estreou na segunda quinzena de setembro, caminha para as suas duas últimas apresentações no Espaço Parlapatões, sempre quinta-feira às 20h30. Nela, o público acompanha Dorian Gray, um jovem aristocrata que faz um pacto no qual troca a sua alma pela perspectiva de manter intactas sua beleza e juventude. Eis que então seu retrato recém-pintado por Basil, um amigo da família, passa a envelhecer em seu lugar e também a colecionar as marcas de seus atos questionáveis.
Rafael Pucca, que dirige a montagem, afirma que “esta obra de Oscar Wilde se mantém cada vez mais atual e parece que será atemporal, pois a eterna juventude e beleza idealizada nunca foram tão desejadas, principalmente com a febre das redes sociais, que nos torna ainda mais escravizados à nossa própria imagem reproduzida nas telas”.
A abordagem a partir do queer, característica sugerida em diversos momentos do texto canônico, chega ao século XXI sem o fardo da censura e da hipocrisia paralisante, marca da elite europeia do final do século XIX. Sua apresentação no centro de São Paulo, local marcado pela forte presença da comunidade LGBTQIAPN+, coroa a relevância do espetáculo ao não se fechar em si e abrir um leque celebratório do legado de Oscar Wilde.
Espetáculo – O retrato de Dorian Gray
Onde? Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo – SP, 01303-020
Quando? Quintas (20h30) até 30 de outubro
Quanto? Ingressos entre R$ 40 e R$ 125
Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou virtualmente aqui.
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 16 anos




