“Como elaborar a morte de alguém que gostamos quando essa escolha foi tomada por ela mesma?”. Essa é a pergunta que o monólogo “O último ato”, interpretado por Eduardo Martini, visa provocar no público. A peça, que estreou no final de janeiro no Teatro União Cultural, chega à sua última sessão nessa quinta (26) às 20h e traz como tema central o suicídio assistido.
Um pintor de reconhecimento internacional e seu companheiro, juntos há 43 anos, preparam-se para retornar ao Porto, onde se conheceram. A viagem, porém, ocorre antes da decisão do artista de recorrer ao suicídio assistido após o avanço do Alzheimer. Na noite de despedida, telefonemas de amigos revelam diferentes perspectivas sobre a escolha, enquanto o espetáculo evidencia a força do amor, da amizade e do respeito.
A peça conta com texto de Franz Keppler, mesmo autor de “Aquário com peixes”, uma das peças mais memoráveis já escritas e direção de Elias Andreato, conhecido principalmente pelo humor leve e inteligente em seus trabalhos.
O suicídio assistido é acompanhado por um médico e ocorre quando um paciente tem plena posse das suas capacidades mentais, ou seja, escolhe morrer. No Brasil, ele é considerado crime conforme o Artigo 122 do Código Penal e é proibido eticamente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Sua abordagem no palco deve, desse modo, ser considerada como um dos recursos para se debater o tema no Brasil.
Ao trazer para o teatro uma decisão atravessada por dor a afetividade, afinal a morte afeta mais aos vivos, a montagem tensiona convicções morais e convida o público a reconhecer a complexidade do luto unido à autonomia. Até onde o amor é capaz de compreender a escolha do outro?
Espetáculo – O último ato
Onde? Teatro União Cultural – R. Mário Amaral, 209 – Paraíso, São Paulo – SP, 04002-020
Quando? Quintas (20h) até 26 de fevereiro
Quanto? R$ 40 (Meia-entrada); R$ 80 (Inteira)
Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou virtualmente aqui
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos




